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segunda-feira, 3 de maio de 2010

NO OUTONO AS FOLHAS CAEM, A ARTE TRANSBORDA, A PALAVRA ACORDA

Foi uma oficina realmente muito gostosa. Também, discutir assuntos como Arte e Linguagem figurada é realmente uma delícia.

Começamos exibindo um vídeo muito interessante no qual foram apresentadas algumas esculturas feitas pelo artista australiano Ron Mueck, link abaixo, que representa com riqueza de detalhes o corpo humano.
http://www.youtube.com/watch?v=Im6goyEZYPw
Na primeira atividade, Será Arte? vários objetos foram expostos e o trabalho do cursista era discutir com a turma o que ele considerava arte dentre aqueles objetos e os que não considerava, apresentando, claro, argumentos para as suas considerações. Foi uma atividade bastante dinâmica, que conseguiu envolver toda, cada um buscando defender suas opiniões sobre o conceito de arte. Para a formação de grupos usamos imagens que representam as mais diversas manifestações artísticas. A leitura e comentário dessas imagens também foram bem discutidas, lembrando a necessidade de promover em nossas aulas, atividades que privilegiem o trabalho com as diversas manifestações artísticas.


Foi muito bom discutir sobre a Linguagem Conotativa em nosso cotidiano, percebendo a importância dessa linguagem para a comunicação realmente eficaz. Fizemos uma atividade bastante significativa com o texto de Jô Soares, no qual a personagem, fazendo uso de linguagem infantil, faz uso de diversas ironias para criticar o salário mínimo.
Para a análise das aulas do AAA recorremos novamente à Matriz de Referência de Língua Portuguesa, com o objetivo de desenvolver no professor cursista a consciência da importância da promoção de atividades bem planejadas, com objetivos claros e que contemplem os diversos tópicos e descritores da Matriz de Referência.
Para finalizar a oficina assistimos ao vídeo “arte com areia” de uma artista ucraniana. O vídeo conseguiu despertar em todos algum tipo de emoção, ratificando assim tudo o que foi discutido durante a oficina de Arte e Figura de Linguagem.
Abaixo o link para o vídeo Arte com Areia. Maravilhoso!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

É UM TEXTO EM OUTRO TEXTO... É O FIM DO CAMINHO?

Antes que as águas de março cumprissem seu papel, recomeçamos. E nada melhor do que ouvir um BOM CONSELHO para começar uma oficina do Gestar... assim o fizemos. Com a canção Bom Conselho de Chico Buarque demos início à oficina do TP1, unidades 3 e 4, na qual tratamos do TEXTO como centro do ensino de Língua Portuguesa e INTERTEXTUALIDADE.

Bom Conselho

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado,
quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio vento na minha cidade
Vou pra rua
e bebo a tempestade.
              Chico Buarque

Logo no início pude perceber o quanto seria interessante o trabalho, pois a discussão sobre os vários textos dentro do texto Bom Conselho, reforçou a importância da mobilização dos conhecimentos prévios em toda e qualquer leitura.
 
Foi muito gostoso discutir a subversão contida em cada provérbio usado na canção, bem como os pactos de leitura existentes entre autor e leitor em todo o texto.
A discussão sobre conceito de leitura foi relevante, motivou o entendimento de que o ato de ler se completa em três estágios não excludentes: contar, colher e roubar.
Os tipos de intertextualidade foram ressaltados nos estudos em grupos e nos textos produzidos pelos cursistas.
Com o AAA1 o estudo foi sobre “ponto de vista”, assunto que, com toda a certeza, será reforçado pelos cursistas em suas aulas de leitura.
Em toda a oficina estabelecemos relações entre as diversas atividades desenvolvidas e a Matriz de Referência de Língua Portuguesa, refletindo sobre a necessidade de garantir ao aluno um estudo com objetivos claros, focado nos diversos tópico e descritores da matriz.
O vídeo do Poema de Sete Faces foi muito bem acolhido pelos professores cursistas, que após uma pequena reflexão, também fizeram uma intertextualidade para avaliar a oficina.

Link para o vídeo na voz de Paulo Autran
http://www.youtube.com/watch?v=TpfqylGVtCg

Link para o vídeo na voz de Samuel Rosa
http://www.youtube.com/watch?v=imR24OrgvMo

A proposta de avaliação da oficina foi usando o Poema de Sete Faces de Drummon, que os professores fizeram intertextualidades muito ricas, abaixo alguns trechos:

Quando cheguei
Um anjo chamado Nancy disse
Vai gestaleira
A intertextualidade discutir
Ela está cá, está lá,
A toda hora, a toda prova

Os bondes estão cheios de textos
Para copiar
Para discutir
Textos para colher e também
Para roubar
E nós, bons leitores que somos
Roubamos e roubamos bem
As delícias que esta viagem
Vem nos proporcionar

E esse patinho feio
E aquele patinho realmente feio
Parecem longe de nós
Mas o que realmente interessa
É a beleza da leitura
Que é boa à bessa.
                             Nadjane Guimarães


(...)
Eu não devia confessar...
Mas essa professora, esse curso, essa inquietação
Me deixam esperançosa como o diabo!
                                            Sandra Maria

JORNADA COM AS ESTRELAS




Fevereiro começou quente, muito quente. O grupo GestarFeira foi convidado pela coordenação pedagógica da Direc02 para participar da Jornada Pedagógica 2010. Retornamos mais cedo das férias, janeiro ainda, para organizar o trabalho junto com o grupo da Direc.
Após algumas reuniões, fui designada para orientar a Jornada no polo de Riachão do Jacuípe. Deste polo participaram professores, coordenadores e diretores de Ichu, Pé de Serra, Candeal, Nova Fátima, Tanquinho e Riachão do Jacuípe.




A Jornada 2010 teve como tema “A organização do trabalho pedagógico: as educadoras e os educadores e suas práticas.”
Foram momentos interessantes de muita reflexão sobre as boas práticas que tem sido desenvolvidas em toda a rede estadual de ensino. Houve ampla discussão também sobre currículo, uma vez que com base nessas boas práticas, a SEC publicou uma nova matriz curricular para o Ensino Fundamental 5ª/8ª, com implantação e implementação já para 2010.
A Jornada do polo de Riachão do Jacuípe foi prazerosa e gratificante. Contou com a participação de professores extremamente receptivos e envolvidos. Além disso, o polo foi premiado com uma equipe de diretores que fizeram a diferença, cuidando de toda a logística para que tudo pudesse acontecer a contento.
Equipe nota 10
Foram dois dias de confraternização – como é bom rever os amigos após o período de férias! – além, claro, de muita reflexão sobre o cotidiano escolar e as boas práticas dos nossos professores.
 







Tivemos ainda momentos culturais maravilhosos, com artistas (sim, verdadeiros artistas) que, cantando, recitando ou dramatizando,trouxeram muito brilho a nossa Jornada.








No final, recebemos a visita da equipe de diretores da Direc02, professor Eutímio Almeida, Diretor Geral, professora Izaura Alves, Coordenadora de Educação Básica, Sr. Beldes Ramos, Coordenador de Organização e Atendimento da Rede Escolar, Sra. Maria José, Assessora de Imprensa e Sr. Ferreira, nosso Motorista.
Foram todos muito bem vindos, e, convidados a cumprimentar os professores, ressaltaram a importância de eventos como este, que promovem a reflexão e a discussão sobre o fazer pedagógico.
Encerramos a primeira etapa da Jornada (a Jornada terá continuidade em cada unidade de ensino) com um lanche coletivo, cheio de sabores... sabor de esperança, de vontade, sabor de determinação... sabor de SAUDADE.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

NO PRINCÍPIO ERA O VERBO...
E OS CURSISTAS FAZENDO USO DO VERBO...



Assim foi o início da nossa oficina de Análise Linguística, um grande bate papo sobre o poema Criação, de Gilberto Mendonça Teles. Comentaram sobre intertextualidade, jogo de sentido das palavras e estabeleceram relação entre o poema e o que seria, por certo discutido ao longo da oficina.
Criação
O verbo nunca esteve no início
dos grandes acontecimentos.
No início estamos nós,
Sujeitos sem predicados,
tímidos, embaraçados,
às voltas com mil pequenos
problemas de delicadezas,
de tentativas e recuos,
neste jogo que se improvisa
à sombra do bem e do mal.

A composição musical de Eliana Prints – Morda minha Língua – suscitou inúmeras possibilidades de leitura, e motivados pela audição da música, refletimos sobre a necessidade de aproximação entre as variantes da língua usadas por alunos e por professores.
Morda Minha Língua
O que é que tá passando pela sua cabeça?
O que é que tá pegando pra você entender?
O que você ouviu você agora esqueça
Mesmo que pareça que vai desaprender
Arranje outra maneira de tratar do assunto
Deixe de manha, deixe de abstração
Não pense na parte, pense no conjunto
Não caia no buraco da desatenção
Fale minha língua, morda minha língua

Pra você aprender tem que experimentar
Fale minha língua, morda minha língua
Pra nossa gramática se misturar
Não venha me falar com esse ar de importante
Comigo não cola, pode relaxar
Tire sua boca do auto falante
Que ninguém vai ouvir o nosso particular
A sua sintaxe ta muito feia
Ta cheia de besteira e de lugar comum
Onde é que tá o belo, onde é que tá a idéia?
No meio da bobéia desse baticum
Fale minha língua, morda minha língua
O pote já secou e eu tô raspando o fundo
E o seu vocabulário não se renovou
Dê uma alegria a esse moribundo
Que pena todo dia como seu professor.

Interessante é perceber que apenas a gramática normativa é citada pelos professores quando motivados a discutir conceitos de gramática. A discussão ficou muito boa quando estabelecemos relações entre os tipos de gramática e tipos de ensino.
Em grupos, a fundamentação teórica ficou por conta do estudo de textos de Irandé Antunes, Maria Helena de Moura Neves e Geraldi.
Discutimos a postura dos professores de Língua Portuguesa diante do ensino de Gramática em sala de aula. Importante ressaltar que os professores cursistas demonstram clareza sobre a necessidade de um trabalho democrático, que valorize as diversas variantes da língua, mas não há clareza de como desenvolver esse trabalho. Essas discussões desestabilizaram alguns professores, que confessaram precisar repensar a prática.

A análise do texto de um aluno de quinta série foi feita pelos cursistas que sugeriram estratégias de correção, chamando a atenção sempre para a importância de se estabelecerem critérios claros para correção do texto. Tais critérios devem estar diretamente relacionados ao planejamento de escrita trabalhado no TP6. Comentamos também a importância da reescrita, o passar a limpo. Se o professor trabalhar a reescrita dos textos com seus alunos, ajudará bastante a diminuir os problemas apresentados nas produções textuais.

Foram sugeridas algumas atividades de pontuação e construção do sentido, presentes no AAA e no TP.
Tais atividades foram muito bem aceitas pelos cursistas, pois são divertidas e além de bastante significativas, funcionam como um desafio, prendendo a atenção de todos.
No final da oficina nos lembramos de que “no princípio era o verbo”... mas como diz Quintana,

Isto foi apenas no princípio.
Depois transigiu,
e muito.

Já não é o princípio, estamos “no meio da bobeia deste baticum” e precisamos nos encontrar...
então, companheiro, "morda minha língua, pra nossa gramática se misturar".